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sexta-feira, 27 de março de 2026

A sessão síncrona como espaço de construção partilhada

 

Imagem criada pelo ChatGPT


A sessão síncrona desta unidade curricular constituiu um momento de aprofundamento e problematização das ideias anteriormente discutidas em fórum, funcionando como um espaço de construção partilhada de conhecimento. Mais do que uma exposição de conteúdos, assumiu-se como um ambiente de diálogo, onde a interação entre participantes permitiu clarificar conceitos e ampliar perspetivas.

Um dos aspetos mais relevantes discutidos foi a necessidade de recorrer a múltiplas fontes de informação, incluindo a Inteligência Artificial, não como substituto do pensamento, mas como elemento participante no processo de aprendizagem. Esta perspetiva reforça a importância de uma postura crítica e ativa, em que o conhecimento é construído através da articulação entre diferentes contributos.

No âmbito do modelo pedagógico da unidade curricular, foram abordadas as dimensões de presença social, presença cognitiva e presença docente, que sustentam a qualidade das experiências de aprendizagem em ambientes virtuais. Estas dimensões evidenciam que aprender não se reduz ao acesso à informação, mas depende da interação, da construção de sentido e da mediação pedagógica.

Na sessão síncrona, a comunicação foi retomada como elemento central destes ecossistemas. Longe de uma lógica linear ou transmissiva, assume-se como um processo dinâmico, em que todos/as participam enquanto emissores/as e recetores/as. Esta centralidade da comunicação reforça a ideia de que a aprendizagem emerge das relações estabelecidas entre participantes, num ambiente em que a presença se constrói para além da dimensão física.

Neste sentido, a noção de habitar atópico ganha particular relevância. Nos ecossistemas digitais, a distância deixa de ser um fator determinante, sendo substituída pela qualidade da participação e pela forma como os sujeitos se tornam presentes no ambiente. Esta perspetiva aproxima-se de uma pedagogia conectiva, em que a aprendizagem resulta das ligações estabelecidas em rede.

Outro ponto de reflexão prendeu-se com o desafio do atual “dilúvio de conhecimento”, caracterizado pela abundância de informação disponível. Neste contexto, torna-se fundamental desenvolver competências críticas que permitam selecionar, interpretar e atribuir sentido à informação, evitando uma relação superficial com o conhecimento.

A integração de modelos de linguagem de grande escala (LLM) foi também problematizada, nomeadamente no que se refere ao risco de empobrecimento cognitivo, quando a sua utilização não é acompanhada por reflexão crítica. Esta questão reforça a necessidade de uma utilização consciente e pedagogicamente orientada destas tecnologias.

Do ponto de vista pessoal, esta sessão evidenciou a importância da participação ativa na construção do conhecimento, particularmente num contexto em que a Inteligência Artificial se torna presença constante. Mais do que aceder à informação, torna-se essencial saber interagir, questionar e atribuir sentido ao que é produzido nestes ambientes, assumindo uma participação ativa e crítica.



Referência

Moreira, A. (2026). Sessão síncrona da unidade curricular Ambientes Virtuais de Aprendizagem [Comunicação oral não publicada]. Universidade Aberta.

Nota 

Este texto baseia-se numa sessão síncrona realizada no âmbito de uma unidade curricular, disponibilizada apenas em ambiente restrito de aprendizagem (plataforma institucional), pelo que optei por preservar os dados pessoais e a imagem das pessoas participantes, de acordo com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).

EDUCAÇÃO DIGITAL E ECOSSISTEMAS DE APRENDIZAGEM EM REDE

Imagem criada pelo ChatGPT



Do digital como ferramenta ao digital como ambiente

Pensar a educação digital como um conjunto de ferramentas é, hoje, claramente insuficiente. Foi precisamente a partir desta ideia que se desenvolveu a primeira atividade da unidade curricular, centrada na compreensão dos ecossistemas de aprendizagem em rede como espaços complexos, onde se cruzam ambientes, atores e formas de aprender.

Após um período de autoaprendizagem, a discussão em fórum permitiu confrontar perspetivas e aprofundar o tema. Um dos aspetos que mais se destacou foi a superação de uma visão instrumental do digital. Progressivamente, deixou de ser entendido apenas como um conjunto de ferramentas, passando a ser concebido como um ambiente que configura a aprendizagem.

Esta mudança aproxima-se da noção de infosfera (Floridi, 2014), na qual o digital não é exterior ao processo educativo, mas parte integrante dele. Neste contexto, ganha particular relevância a literacia digital crítica, entendida não apenas como domínio técnico, mas como capacidade de compreender, questionar e utilizar tecnologias com intencionalidade pedagógica.

Os contributos do fórum evidenciam também a natureza híbrida e relacional destes ecossistemas. A aprendizagem emerge da interação entre múltiplos ambientes e atores, humanos e não humanos, o que remete para perspetivas como a Teoria Ator-Rede (Latour, 2005). Mais do que integrar tecnologia, trata-se de articular dimensões pedagógicas, tecnológicas e organizacionais de forma coerente.

Neste contexto, a comunicação assume um papel estruturante. Não se trata de um processo linear, mas de uma dinâmica aberta e participativa, onde todos/as os/as participantes assumem simultaneamente papéis de emissores/as e recetores/as. É nesta rede de interações que o conhecimento se constrói e ganha significado.

A questão da equidade atravessa igualmente a discussão. Os ecossistemas digitais não podem ser pensados como soluções universais, sendo necessário considerar as condições reais dos/as participantes e os diferentes níveis de acesso e literacia.

Habitar ecossistemas digitais: desafios e reflexão pessoal

Se os ecossistemas de educação digital configuram ambientes complexos de aprendizagem, então a forma como os habitamos torna-se uma questão central. A comunicação, já identificada como elemento estruturante, reforça aqui a sua dimensão dinâmica, ao sustentar processos de participação, negociação de significados e construção colaborativa do conhecimento.

Neste contexto, o diálogo com a Inteligência Artificial surge como possibilidade de coconstrução do conhecimento, mas também como desafio. Num cenário marcado por um “dilúvio de informação”, torna-se essencial desenvolver capacidades críticas que permitam selecionar, interpretar e atribuir sentido ao que circula nestes ambientes.

Por outro lado, estes ecossistemas configuram-se como ecologias complexas, resultantes da articulação entre dimensões digital, tecnológica, pedagógica e organizacional. A sua qualidade não depende da tecnologia em si, mas da forma como esta é integrada com intencionalidade pedagógica.

Do ponto de vista pessoal, esta atividade levou-me a questionar a forma como tenho vindo a encarar o digital no contexto educativo. Reconheço que, apesar de já utilizar diversas ferramentas, a minha abordagem ainda partia, em muitos momentos, de uma lógica mais instrumental do que propriamente ecológica. A discussão no fórum e na sessão síncrona ajudou-me a recentrar o foco não nas tecnologias em si, mas na forma como estas configuram os ambientes de aprendizagem.

Ao mesmo tempo, tornou-se mais evidente a exigência de desenvolver uma literacia digital crítica mais consistente, não apenas enquanto formadora, mas também enquanto aprendente. A integração da Inteligência Artificial, em particular, coloca-me desafios concretos: como garantir que a sua utilização contribui efetivamente para processos de aprendizagem significativos? De que forma pode ser integrada de modo a promover pensamento crítico e não apenas facilitar respostas imediatas? Estas questões reforçam a necessidade de uma utilização consciente, crítica e pedagogicamente orientada destas tecnologias.

Em síntese, compreender estes ecossistemas implica não apenas integrar tecnologias, mas desenvolver uma postura crítica e intencional face aos ambientes digitais em que aprendemos e ensinamos.


Referências

Comissão Europeia. (2021). Plano de Ação para a Educação Digital (2021–2027).
https://education.ec.europa.eu/pt-pt/focus-topics/digital-education/plan

Floridi, L. (2014). The fourth revolution: How the infosphere is reshaping human reality. Oxford University Press.

Latour, B. (2005). Reassembling the social: An introduction to actor-network-theory. Oxford University Press.
Moreira, J. A. (2020). Era híbrida, educação disruptiva e ambientes de aprendizagem [Vídeo]. YouTube. https://youtu.be/rxzkv9QW7

Moreira, J. A. (2025). Novos ecossistemas de aprendizagem nos territórios híbridos da noosfera. Whitebooks.