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segunda-feira, 30 de março de 2026

Avaliar em e-Learning: entre a tecnologia e a intencionalidade pedagógica

Imagem criada em Canva


O trabalho desenvolvido na unidade curricular de Avaliação em Contextos de e-Learning constituiu uma oportunidade para repensar a avaliação para além das suas formas mais tradicionais, colocando em evidência a sua natureza processual, formativa e contextualizada. A utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa revelou-se particularmente relevante, não enquanto resposta em si, mas como ponto de partida para a problematização e análise crítica, sobretudo nas tarefas que implicaram a comparação com a literatura científica.

Uma das aprendizagens mais significativas prendeu-se com a constatação de que as respostas geradas por sistemas de IA tendem a apresentar visões organizadas e coerentes, mas frequentemente simplificadas, exigindo validação através de literatura científica e uma leitura crítica por parte do/a estudante. Este processo evidenciou que o valor da IA não reside na substituição do pensamento, mas no seu potencial enquanto mediador da aprendizagem, desde que integrado de forma intencional e reflexiva, no confronto direto com os artigos analisados.

Ao longo do trabalho, tornou-se também evidente que a avaliação em e-Learning se encontra em transformação, com uma crescente valorização de abordagens formativas, participativas e centradas no desenvolvimento de competências. No entanto, esta evolução não é linear nem isenta de tensões, persistindo desafios relacionados com a integridade académica, a equidade no acesso às tecnologias e a necessidade de garantir rigor e validade nos processos avaliativos, particularmente em contextos de ensino superior online.

A experiência de análise crítica das respostas da IA, articulada com a revisão de literatura, permitiu aprofundar a compreensão destes desafios, bem como reconhecer o papel central do/a docente enquanto designer de avaliação. Mais do que escolher ferramentas, percebi que o essencial reside nas decisões pedagógicas que tomamos e na coerência com que as sustentamos, nomeadamente na definição de critérios e tarefas alinhadas com os objetivos de aprendizagem. Este trabalho convidou-me a olhar para as tecnologias emergentes com um olhar mais crítico e intencional, reconhecendo nelas não apenas instrumentos, mas oportunidades para repensar a própria prática educativa.

No final deste percurso, ficou a certeza de que avaliar implica escuta, intencionalidade e compromisso. A avaliação em e-Learning revela-se, assim, como um campo em permanente construção, mais do que um modelo fechado, um espaço de tensão e ajustamento entre o rigor e a empatia, entre a tecnologia e a dimensão profundamente humana do aprender.