domingo, 26 de outubro de 2025

Sessão de abertura do mPeL 2025

 No passado dia 21 de outubro, decorreu a sessão de abertura do mPeL. Todas as partilhas foram de especial interesse, mas destaco em particular a da Professora Linda Castañeda.



Na sua apresentação sobre a Inteligência Artificial (IA) e a educação, a professora Linda Castañeda, da Universidade de Múrcia, fez uma análise crítica das diversas dimensões em que a IA influencia a educação. Partindo da dimensão técnico-funcional, questionou se a IA serve apenas para melhorar práticas já existentes ou se está, na verdade, a transformá-las de forma estrutural, mudando o próprio sentido de ensinar, aprender e avaliar.

Castañeda foi mais longe, desafiando os conceitos tradicionais, que damos como adquiridos, de conhecimento, evidência e aprendizagem, interrogando se o saber produzido com o apoio da IA pode ser considerado uma verdadeira aprendizagem e se é esse o tipo de conhecimento que as instituições de ensino devem promover. Do ponto de vista ético, trouxe para a discussão a responsabilidade de quem utiliza e desenvolve estas tecnologias, sublinhando a diferença entre o que podemos fazer e o que devemos fazer com a IA.

A sua intervenção foi, assim, um convite a repensar a educação digital como um espaço de responsabilidade e consciência crítica, defendendo uma literacia digital que una o domínio técnico à compreensão ética, política e cultural das tecnologias digitais.

Pessoalmente, considero que a reflexão de Castañeda reforça uma ideia essencial: a tecnologia, por si só, não transforma a educação. O que a transforma são as escolhas pedagógicas, éticas e humanas que fazemos ao utilizá-la. A sua perspetiva convida-nos a encarar a educação como um espaço de equidade, responsabilidade e cidadania digital, onde o desenvolvimento tecnológico deve estar ao serviço do pensamento, da criatividade e da justiça social.




Sem comentários:

Enviar um comentário